No dia 2 de dezembro é comemorado o Dia do Relações Públicas. A atividade fim de quem atua nessa área é “ planejar, implantar e desenvolver o processo total da comunicação institucional da organização como recurso estratégico de sua interação com seus diferentes públicos e ordenar todos os seus relacionamentos com esses públicos, para gerar um conceito favorável sobre a organização, capaz de despertar no público credibilidade”.
O profissional de relações públicas (RP), pela lei brasileira, precisa ser formado em curso superior, ter registro no conselho da categoria e pode exercer sua atividade como profissional liberal, assalariado ou de magistério.
Foto: Mary Leal
Newton Garcia é RP há 30 anos: “O profissional precisa estar preparado para lidar com novas ferramentas”
Júlio Cardia é um dos profissionais que atuam nessa área. Formado desde 2005, Cardia diz ter sido escolhido pelo curso de relações públicas. “Mesmo tendo sido aprovado no vestibular para publicidade, decidi tentar relações públicas por julgar se encaixar melhor ao meu perfil, uma vez que lido com eventos desde cedo. Não pensei duas vezes por gostar muito desse relacionamento com as pessoas, que é exigido para este profissional”, explica Cardia.
Para Julio Cardia, que já tinha dois empregos enquanto concluía a graduação, a dificuldade em conseguir um emprego ao terminar a faculdade foi pequena. Em um ele panfletava e no outro prestava serviço voluntário.
Hoje, efetivado em uma das instituições onde estagiava, Cardia supervisiona as relações entre funcionários-diretoria, diretoria-empresa contratantes e contratante-funcionário. Desde o início do ano, o jovem de 25 anos de idade é responsável também pela seleção de funcionários, pelo trabalho motivacional e por convocar as reuniões. Pelo visto o trabalho motivacional que hoje ele coordena se reflete no que ele vivenciou na faculdade, afinal o jovem diz que quanto mais fazia o curso, mais se identificava com ele, a cada dia.
Mesmo com toda essa surpresa positiva que teve quanto ao curso, Julio Cardia aponta as coisas que ainda podem ocorrer de bom para a área. “Muita coisa pode ser melhorada quanto às nossas responsabilidades dentro das organizações e na sociedade. Há um problema constante com relação àqueles que veem as falhas e ficam calados. Isso não pode acontecer. Tem de fazer algo pra mudar”. E completa: “na medida do possível, pode-se fazer algo em prol da sociedade, mesmo sendo subordinado a alguém que privilegie os interesses econômicos da empresa, é possível beneficiar as pessoas e a empresa.”
O profissional destaca a importância, para ele, de fazer uma especialização para se aperfeiçoar nas atividades que desenvolve no emprego. Ele concilia com o trabalho, a pós-graduação em gestão do trabalho. A graduação ele fez no Instituto de Ensino Superior de Brasília (IESB), que este ano decidiu formar a última turma e após isso extinguir o curso.
Com o intuito de lidar com o máximo de possibilidades que sua área possui, ele tem como meta finalizar seu curso de inglês, se possível no exterior, para agregar ao seu currículo, pois acredita que sua missão é ser um conector de pessoas, interligando-as. Para desenvolver melhor essa tarefa ele vislumbra um espaço onde possa cumprir esse propósito, o que se pode conseguir num cargo político.
É preciso estar preparado
Com experiência no mercado há mais de 30 anos, o relações públicas Newton Garcia atua no Grupo Labor há 25 anos. Segundo ele, esta é uma área muito abrangente onde são trabalhadas desde relações governamentais, planejamento estratégico, pesquisa de opinião, diagnóstico e assessoria. Tem ainda a função primordial de administrar a comunicação.
Para Newton, com o avanço constante da tecnologia tanto os profissionais veteranos quanto os novos precisam estar preparados para saber lidar com as ferramentas inovadoras que surgem a cada dia. A imagem da empresa depende desse compromisso.
Outro aspecto fundamental atualmente é desenvolver projetos mencionando sempre assuntos como voluntariado, responsabilidade social e sustentabilidade. “A área cresceu muito, mas as instituições de ensino não se adequaram para preparar esse profissional que o mercado exige”, observa Newton. “Mesmo com essas falhas, hoje nós temos excelentes profissionais da área atuando no mercado com muito êxito, inclusive em assessorias que dependem muito de um profissional de relações públicas”, comemora. Newton acredita que possam, ainda, surgir excelentes profissionais e aponta o governo e grandes empresas como as maioress empregadoras.